Exmo Senhor Presidente da Câmara
Vimos por este meio dizer mais do mesmo… Sabemos que tudo o que vamos abordar já foi aqui dito, porém os problemas mantêm-se. Na nossa vida temos de lidar com eles todos os dias, portanto, sempre que a cólera se acumule e a moralidade permita sermos convenientes, vamos voltar sempre a falar mais do mesmo.
Continuamos a ser jovens sem oportunidades de emprego, com problemas de acesso à saúde, com a educação comprometida pelos horários que temos de vivenciar…
Continuamos a ter de lidar com os preços surreais que são praticados na nossa terra, destinados ao turismo que apenas nos visita no Verão.
Continuamos a ter as ruas vazias e as casas vazias, porque os seus donos apenas cá vêm nas férias… Numa terra que cada vez mais caminha para a desertificação e o abandono…
Continuamos a viver na casa dos pais, ou a pagar rendas altíssimas, porque não nos dão oportunidade de cá viver de outra forma…
De quem é a culpa? De todos aqueles que venderam as casas e os terrenos à procura de melhores oportunidades de vida? Também! Mas isso não o desculpabiliza a si e aos seus antecessores.
Nós não pedimos para apostar no turismo, não pedimos para aprovarem aldeamentos turísticos e apart-hoteis que nada têm a ver com a nossa terra. Nós não pedimos para transformarem o nosso rio e os arrozais (que sustentaram várias famílias) numa suposta marina (que dizem que irá até ao Carvalhal).
Nós não temos culpa dos erros dos outros e apenas pedimos uma oportunidade de adquirir um terreno a um preço acessível para podermos morar na terra que nos viu crescer. Sempre vivemos aqui, sempre cá estivemos, porque temos que sofrer as consequências dos erros dos outros?
Se temos culpa de alguma coisa? Temos! Temos culpa de lutar pela nossa terra, de querer travar o seu despovoamento, de querer desenvolvê-la e de não aceitarmos ser corridos daqui para servir os interesses monetários de V. Exa.
Encontre forma de vender os terrenos a quem realmente precisa e a quem realmente cá queira ficar. Tem receio que os vendam? As habitações sociais permitem que a Câmara permaneça com o património, e mantenha cá as pessoas.
Continuaremos a dar notícias.
Com muito mais assuntos, atentamente
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