Atlantic Ferries, S.A.
Entrave à produtividade e ao
desenvolvimento regional.
A empresa Atlantic Ferries, S.A. é hoje a actual concessionária
da travessia do Sado, esta empresa tem vindo desde
o inicio da sua actividade, a isolar a margem sul do Sado.
Começou com a deslocação do cais dos Ferries de Tróia
para Soltróia aumentado assim por sua livre vontade a
distância a percorrer, o que aliado ao elevado investimento
em imobilizado corpóreo se traduziu em um aumento dos
preços praticados superiores a 60% na classe A (de 5.60€
para 9.50€); de 100% (de 1.00€ para 2.00€) nos passageiros;
e assim sucessivamente nas outras classes.
Continuando a senda a empresa decide cortar o numero de
ligações diárias e aumentar o período de paragem nocturna
que passou de duas horas de tempo máximo sem ferries
nos cais para quatro horas e vinte cinco minutos fora do
verão e de três horas e quinze minutos durante o verão,
sendo actualmente a primeira ligação Soltroia-Setúbal às
6:50, com o argumento de que a península de Tróia não é
uma ilha.
Também não preocupada em assegurar a totalidade das
ligações assumidas no horário dos Ferries, que é de 35
minutos no período diurno e de 70 no período nocturno a
empresa optou por só comprar dois ferries. E sempre que
um dos Ferries avaria ou pára para as reparações periódicas
a que estão sujeitos, a ligação passa a ser sempre de 70 em
70 minutos, sendo que o utente menos frequente arrisca-se
a não passar no tempo em que decorrem os avisos e chegar
lá e não haver o Ferrie que convinha à sua vida pessoal ou
profissional.
Finalmente a empresa ainda sob o argumento da península
não ser uma ilha, a empresa já anunciou que vai cortar
mais ligações já a partir do dia 12-04-2010, sendo que a
primeira ligação via Ferrie Soltróia-Setúbal ocorrerá às
08:05,e a ultima às 22:25; no sentido Setúbal-Soltroia a
primeira será as 07:30 e a ultima às 21:50.
Existem empresas de diversos sectores (panificação, pescado,
construção, distribuição…) que utilizam esta ligação
de forma estratégica para o desenvolvimento da sua actividade,
que decorre nas duas margens do Sado, e que agora
não conseguirão sem dar a volta por Alcácer de Sal chegar
a Setúbal antes das 08:40.
Será aceitável este aumento do isolamento a que os habitantes
e as empresas da margem sul do Sado estão sujeitas?
Num tempo em que informação e comunicação são os
maiores motores da economia mundial temos que continuar
a lutar contra os velhos fantasmas de um passado que
se quer longínquo? Um português que durma em Almada e
vá trabalhar de carro para Lisboa paga 1.35€ de portagens
para atravessar o Tejo (Ida e Volta), o do Montijo paga
2.35€,e o de “Tróia” paga 19.00€ mais 4.00€ por ocupante.
Numa época em que se fala de descentralização e de combate
à idiossincrasia Lisboa – Resto do Pais, não será altura
de darmos as mãos e dizermos que queremos melhor?
Cada um de nós pode dar o seu contributo mas todos juntos
podemos gerar sinergias. Seria isto possível no Porto? Não
creio, e cá só será se deixarmos. Não nos podem afastar da
nossa capital de distrito e do resto do país. As alternativas
são insuficientes, a estrada que liga Alcácer do Sal a Setúbal
tem muito movimento e pouca segurança, precisamos
de melhores e mais baratas ligações ao outro lado do rio. E
temos legitimidade para tal, porque ao contrário do que nos
tem feito parecer somos cidadãos de primeira.
in: Litoral Alentejano(15 de Abril)
Gonçalo Nunes
(Deputado à Assembleia de Freguesia da Comporta)
sábado, 17 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Em 24 de Abril de 1974 - ( Vêr, ouvir e calar )
O teatro do 24 de Abril
No tempo em que, segundo soi dizer-se, a revista ainda era a revista, Lisboa tinha em exibição dois exemplares dessa longínqua forma de expressão teatral tipicamente portuguesa. "Com Parra Nova", de e com Francisco Nicholson, ocupava a sala do ABC, no Parque Mayer. No Maria Vitória, no mesmo espaço agora feito cemitério de culturas passadas, estava em cena um sugestivo "Ver, Ouvir e Calar", com Ivone Silva.
Funcionavam, em Lisboa, salas de teatro como o Laura Alves, o Variedades e o Vasco Santana, no Parque Mayer. Ainda que muito marcado pelas comédias (não confundir com a revista), o panorama teatral tinha, naturalmente, também o seu lado sério, representado, por exemplo, nas apresentações de "A Morte do Caixeiro Viajante", de Arthur Miller, e "O Mar", de Edward Bond, respectivamente no Maria Matos e no Vasco Santana
No tempo em que, segundo soi dizer-se, a revista ainda era a revista, Lisboa tinha em exibição dois exemplares dessa longínqua forma de expressão teatral tipicamente portuguesa. "Com Parra Nova", de e com Francisco Nicholson, ocupava a sala do ABC, no Parque Mayer. No Maria Vitória, no mesmo espaço agora feito cemitério de culturas passadas, estava em cena um sugestivo "Ver, Ouvir e Calar", com Ivone Silva.
Funcionavam, em Lisboa, salas de teatro como o Laura Alves, o Variedades e o Vasco Santana, no Parque Mayer. Ainda que muito marcado pelas comédias (não confundir com a revista), o panorama teatral tinha, naturalmente, também o seu lado sério, representado, por exemplo, nas apresentações de "A Morte do Caixeiro Viajante", de Arthur Miller, e "O Mar", de Edward Bond, respectivamente no Maria Matos e no Vasco Santana
Antes de Abril de 1974 ( Contagem decrescente )
Em 1973 os atentados continuam por parte das brigadas revolucionárias contra alvos militares, terminando o braço armado do PCP (ARA) a sua actividade em Maio de 1973
É proclamada unilateralmente a independência da Guiné-Bissau feita pelo PAIGC, em Madina do Boé, no interior do território. A mesma é reconhecida por oitenta países afro-asiáticos e pela OUA.
O governo demite da Função Pública todos os funcionários, que participaram na vigília da Capela do Rato.
- O Partido Socialista publica a sua Declaração de princípios, definindo-se como «radicalmente anticolonialista».
- As direcções do PS e do PCP assinam o acordo sobre o princípio da independência das colónias e da negociação com os movimentos de libertação, sendo esta a primeira vez que os representantes da oposição convergiram em relação à questão colonial.
As deserções nas forças armadas continuam sem distinção de patentes.
Está no ar o espírito de Abril, pois começam as movimentações dos capitães do exercito Português contra a publicação de um decreto-lei, que estabelece a passagem dos milicianos para o Quadro Permanente e desencadeando assim, o protesto dos capitães. Na cidade de Évora, reúne-se o Movimento dos Capitães, onde é assinada uma exposição colectiva por 136 oficiais, mais tarde numa reunião alargada do Movimento dos Capitães, em Lisboa, realizada simultaneamente em quatro locais, onde é coloca a hipótese do emprego da força para derrubar o regime, as reuniões continuam e em São Pedro do Estoril. São discutidos pela primeira vez problemas políticos e marcada, uma nova reunião para Óbidos, em que é eleita uma comissão coordenadora alargada sendo votados os nomes dos generais a contactar pelo movimento – António de Spínola e Costa Gomes.
Entretanto o general Spínola e o general Kaúlza de Arriaga, não chegam a acordo numa acção conjunta para deporem Marcelo Caetano.
Perto do final do ano de 1973, está definida a chefia da estrutura do Movimento dos Oficias das Forças Armadas, em reunião realizada na Costa da Caparica, constituída por Otelo Saraiva de Carvalho, Vítor Alves e Vasco Lourenço
Em 1974, acontece o ultimo atentado das Brigadas Revolucionarias contra o navio Niassa", que se preparava para sair de Lisboa com tropas para a Guiné
Continua a agitação estudantil com manifestações e greves contra a guerra colonial
Marcelo Caetano, desafia Costa Gomes e Spínola a tomarem o poder, tendo os dois generais recusado, entretanto o Movimento dos Capitães reúne-se em Cascais, onde aprova o embrião do futuro programa do Movimento das Forças Armadas
O Governo decreta o estado de alerta em todas as unidades militares do país, receando a movimentação dos oficiais das suas forças militares, pedindo Marcelo Caetano a demissão ao Presidente da República, que não a aceita, o general Kaúlza de Arriaga alerta Américo Tomaz, para a gravidade da situação política e militar.
E, começa a cheirar a revolta de verdade, quando, em 16 de Março de 1974 o Regimento de Infantaria da Caldas da Rainha avança sobre Lisboa, após a detenção do comandante e demais oficiais superiores da unidade, no entanto por falta de apoio os militares regressaram à unidade rendendo-se, foram presos cerca de duzentos militares, aqui nasceu o embrião da revolução dos cravos.
Após esta tentativa de golpe de Estado o governo em comunicado garante que «reina a ordem em todo o país».
Na ultima reunião clandestina da Comissão Coordenadora do MFA. O golpe é marcado para a semana de 20 a 27 de Abril. O general Costa Gomes aconselha o general António de Spínola a não participar no golpe de Estado militar então em marcha. O MFA derruba o regime através de um golpe de Estado, abrindo caminho ao imediato fim da guerra em África, à descolonização e à democratização do país, foi apresentada ao País a Junta de Salvação Nacional, composta por sete oficiais-generais.
É proclamada unilateralmente a independência da Guiné-Bissau feita pelo PAIGC, em Madina do Boé, no interior do território. A mesma é reconhecida por oitenta países afro-asiáticos e pela OUA.
O governo demite da Função Pública todos os funcionários, que participaram na vigília da Capela do Rato.
- O Partido Socialista publica a sua Declaração de princípios, definindo-se como «radicalmente anticolonialista».
- As direcções do PS e do PCP assinam o acordo sobre o princípio da independência das colónias e da negociação com os movimentos de libertação, sendo esta a primeira vez que os representantes da oposição convergiram em relação à questão colonial.
As deserções nas forças armadas continuam sem distinção de patentes.
Está no ar o espírito de Abril, pois começam as movimentações dos capitães do exercito Português contra a publicação de um decreto-lei, que estabelece a passagem dos milicianos para o Quadro Permanente e desencadeando assim, o protesto dos capitães. Na cidade de Évora, reúne-se o Movimento dos Capitães, onde é assinada uma exposição colectiva por 136 oficiais, mais tarde numa reunião alargada do Movimento dos Capitães, em Lisboa, realizada simultaneamente em quatro locais, onde é coloca a hipótese do emprego da força para derrubar o regime, as reuniões continuam e em São Pedro do Estoril. São discutidos pela primeira vez problemas políticos e marcada, uma nova reunião para Óbidos, em que é eleita uma comissão coordenadora alargada sendo votados os nomes dos generais a contactar pelo movimento – António de Spínola e Costa Gomes.
Entretanto o general Spínola e o general Kaúlza de Arriaga, não chegam a acordo numa acção conjunta para deporem Marcelo Caetano.
Perto do final do ano de 1973, está definida a chefia da estrutura do Movimento dos Oficias das Forças Armadas, em reunião realizada na Costa da Caparica, constituída por Otelo Saraiva de Carvalho, Vítor Alves e Vasco Lourenço
Em 1974, acontece o ultimo atentado das Brigadas Revolucionarias contra o navio Niassa", que se preparava para sair de Lisboa com tropas para a Guiné
Continua a agitação estudantil com manifestações e greves contra a guerra colonial
Marcelo Caetano, desafia Costa Gomes e Spínola a tomarem o poder, tendo os dois generais recusado, entretanto o Movimento dos Capitães reúne-se em Cascais, onde aprova o embrião do futuro programa do Movimento das Forças Armadas
O Governo decreta o estado de alerta em todas as unidades militares do país, receando a movimentação dos oficiais das suas forças militares, pedindo Marcelo Caetano a demissão ao Presidente da República, que não a aceita, o general Kaúlza de Arriaga alerta Américo Tomaz, para a gravidade da situação política e militar.
E, começa a cheirar a revolta de verdade, quando, em 16 de Março de 1974 o Regimento de Infantaria da Caldas da Rainha avança sobre Lisboa, após a detenção do comandante e demais oficiais superiores da unidade, no entanto por falta de apoio os militares regressaram à unidade rendendo-se, foram presos cerca de duzentos militares, aqui nasceu o embrião da revolução dos cravos.
Após esta tentativa de golpe de Estado o governo em comunicado garante que «reina a ordem em todo o país».
Na ultima reunião clandestina da Comissão Coordenadora do MFA. O golpe é marcado para a semana de 20 a 27 de Abril. O general Costa Gomes aconselha o general António de Spínola a não participar no golpe de Estado militar então em marcha. O MFA derruba o regime através de um golpe de Estado, abrindo caminho ao imediato fim da guerra em África, à descolonização e à democratização do país, foi apresentada ao País a Junta de Salvação Nacional, composta por sete oficiais-generais.
domingo, 11 de abril de 2010
Antes de Abril de 1974 ( PIDE-DGS )
A Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) foi a polícia política portuguesa entre 1945 e 1969.
A PIDE foi criada pelo Decreto-Lei n.º 35 046, de 22 de Outubro de 1945, substituindo a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, de quem herdou a estrutura, métodos e funções.
Apresentada como um "organismo autónomo da Polícia Judiciária", nos moldes da Scotland Yard, a PIDE foi realmente uma polícia política cuja principal função consistiu na repressão de qualquer forma de oposição ao Estado Novo de Oliveira Salazar.
A função da PIDE ia além da de polícia política, sendo igualmente responsável pelo controlo de estrangeiros e fronteiras, pela informação e contra-espionagem, pelo combate ao terrorismo e pela investigação de crimes contra a segurança do estado.
A PIDE exercia actividade em todo o território português no sentido de evitar dissidências nas organizações civis e militares, usando meios e métodos baseados nas técnicas alemãs aplicadas na Gestapo, é considerada por muitos historiadores uma das polícias mais eficientes de sempre. Justificava as suas actividades com o combate ao internacionalismo proletário e comunismo internacional.
A PIDE foi criada pelo Decreto-Lei n.º 35 046, de 22 de Outubro de 1945, substituindo a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, de quem herdou a estrutura, métodos e funções.
Apresentada como um "organismo autónomo da Polícia Judiciária", nos moldes da Scotland Yard, a PIDE foi realmente uma polícia política cuja principal função consistiu na repressão de qualquer forma de oposição ao Estado Novo de Oliveira Salazar.
A função da PIDE ia além da de polícia política, sendo igualmente responsável pelo controlo de estrangeiros e fronteiras, pela informação e contra-espionagem, pelo combate ao terrorismo e pela investigação de crimes contra a segurança do estado.
A PIDE exercia actividade em todo o território português no sentido de evitar dissidências nas organizações civis e militares, usando meios e métodos baseados nas técnicas alemãs aplicadas na Gestapo, é considerada por muitos historiadores uma das polícias mais eficientes de sempre. Justificava as suas actividades com o combate ao internacionalismo proletário e comunismo internacional.
sábado, 10 de abril de 2010
Antes de Abril de 1974 ( Zeca Afonso )
Oriundo do fado de Coimbra, foi uma figura central do movimento de renovação da música portuguesa que se desenvolveu na década de 60 do século XX, José Afonso ficou indelevelmente associado ao derrube do Estado Novo, regime de ditadura vigente em Portugal entre 1933 e 1974, uma vez que uma das suas composições, "Grândola, Vila Morena", foi utilizada como senha pelo movimento militar que instaurou a democracia, em 25 de Abril de 1974.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Antes de Abril de 1974 ( Guerra Colonial )
Nas colónias europeias sempre existiram movimentos de oposição e resistência à presença das potências coloniais. Porém, ao longo do século XX, o sentimento nacionalista — fortemente impulsionado pelas primeira e segunda guerras mundiais — era patente em todas as movimentações europeias, pelo que não será surpreendente notar o seu alastramento às colónias, já que também muitos dos seus nativos nelas participaram, expondo o paradoxo da celebração da vitória na luta pela libertação, em território colonial, ainda submetido e dependente.
Os homens arrancaram-te a consciência
E automatizaram os teus nervos.
Então, tu não te emocionaste
Quando abriste o peito do teu irmão,
Quando invadiste os lares
E o ventre das virgens.
Tu ficaste na lembrança apavorada
Das crianças a quem mataste os pais,
A quem destruíste os asilos, '
A quem atiraste ao mar o pão.
Tu também tens um monumento
Nos olhos espantados dos órfãos,
Nos corpos mutilados dos teus irmãos,
Nos filhos que, inconscientemente,
Deixaste germinando na maldição e no pranto
das mulheres violentadas.
Soldado Desconhecido
Os homens arrancaram-te a consciência
E automatizaram os teus nervos.
Que bem não te fariam
Se te arrancassem a memória !
de: Anuar Fares
" Poema ao Soldado DesconhecidoQue não o dos Monumentos "
Os homens arrancaram-te a consciência
E automatizaram os teus nervos.
Então, tu não te emocionaste
Quando abriste o peito do teu irmão,
Quando invadiste os lares
E o ventre das virgens.
Tu ficaste na lembrança apavorada
Das crianças a quem mataste os pais,
A quem destruíste os asilos, '
A quem atiraste ao mar o pão.
Tu também tens um monumento
Nos olhos espantados dos órfãos,
Nos corpos mutilados dos teus irmãos,
Nos filhos que, inconscientemente,
Deixaste germinando na maldição e no pranto
das mulheres violentadas.
Soldado Desconhecido
Os homens arrancaram-te a consciência
E automatizaram os teus nervos.
Que bem não te fariam
Se te arrancassem a memória !
de: Anuar Fares
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Antes de Abril de 1974 ( Catarina Eufémia )
No dia 19 de Maio de 1954, em plena época da ceifa do trigo, Catarina e mais treze outras ceifeiras foram reclamar com o feitor da propriedade onde trabalhavam para obter um aumento de dois escudos pela jorna. Os homens da ceifa foram, em princípio, contrários à constituição do grupo das peticionárias, mas acabaram por não hostilizar a acção destas. As catorze mulheres foram suficientes para atemorizar o feitor que foi a Beja chamar o proprietário e a guarda.
Na imprensa da época:
Anteontem, numa questão entre trabalhadores rurais, ocorrida numa propriedade agrícola próximo de Baleizão, e para a qual foi pedida a intervenção da G.N.R. de Beja, foi atingida a tiro Catarina Efigénia Sabino, de 28 anos, casada com António do Carmo, cantoneiro em Quintos. Conduzida ao hospital de Beja, chegou ali já cadáver. A morte foi provocada pela pistola-metralhadora do sr. Tenente Carrajola, que comandava a força da G.N.R. No momento em que foi atingida, a infeliz mulher tinha ao colo um filhinho, que ficou ferido, em resultado da queda. A Catarina Efigénia tinha mais dois filhos de tenra idade e estava em vésperas de ser novamente mãe. O funeral realizou-se ontem, saindo do hospital de Beja para o cemitério de Quintos. Centenas de pessoas vieram de Baleizão para acompanharem o préstito, verificando-se impressionantes cenas de dor e de desespero. Segundo nos consta, o oficial causador da tragédia foi mandado apresentar em Évora.
— Diário do Alentejo, 21 de Maio de 1954
Catarina fora escolhida pelas suas colegas para apresentar as suas reivindicações. A uma pergunta do tenente da guarda, Catarina terá respondido que só queriam "trabalho e pão". Como resposta teve uma bofetada que a enviou ao chão. Ao levantar-se, terá dito: "Já agora mate-me." O tenente da guarda disparou três balas que lhe estilhaçaram as vértebras. Catarina não terá morrido instantaneamente, mas poucos minutos depois nos braços do seu próprio patrão (entretanto chegado), que a levantou da poça de sangue onde se encontrava, e terá dito: Oh senhor tenente, então já matou uma mulher, o que é que está a fazer?. O patrão, Francisco Nunes, que é geralmente descrito como uma pessoa acessível, foi caracterizado por Manuel de Melo Garrido em "A morte de Catarina Eufémia —A grande dúvida de um grande drama" como "o jovem lavrador da região que menos discutia os salários a atribuir aos rurais e que, nas épocas de desemprego, os ajudava com larga generosidade". O menino de colo, que Catarina tinha nos braços ficou ferido na queda. Uma outra camponesa teria ficado ferida também.
De acordo com a autópsia, Catarina foi atingida por "três balas, à queima-roupa, pelas costas, actuando da esquerda para a direita, de baixo para cima e ligeiramente de trás para a frente, com o cano da arma encostada ao corpo da vítima. O agressor deveria estar atrás e à esquerda em relação à vítima". Ainda segundo o relatório da autópsia, Catarina Eufémia era "de estatura mediana (1,65 m), de cor branco-marmórea, de cabelos pretos, olhos castanhos, de sistema muscular pouco desenvolvido".
Após a autópsia, temendo a reacção da população, as autoridades resolveram realizar o funeral às escondidas, antecipando-o de uma hora em relação àquela que tinham feito constar. Quando se preparavam para iniciar a sua saída às escondidas, o povo correu para o caixão com gritos de protesto, e as forças policiais reprimiram violentamente a populaça, espancando não só os familiares da falecida, outros rurais de Baleizão, como gente simples de Beja que pretendia associar-se ao funeral. O caixão acabou por ser levado à pressa, sob escolta da polícia, não para o cemitério de Baleizão, mas para Quintos (a terra do seu marido cantoneiro António Joaquim do Carmo, o Carmona, como lhe chamavam) a cerca de dez quilómetros de Baleizão. Vinte anos depois, em 1974, os seus restos mortais foram finalmente transladados para Baleizão.
Na imprensa da época:
Anteontem, numa questão entre trabalhadores rurais, ocorrida numa propriedade agrícola próximo de Baleizão, e para a qual foi pedida a intervenção da G.N.R. de Beja, foi atingida a tiro Catarina Efigénia Sabino, de 28 anos, casada com António do Carmo, cantoneiro em Quintos. Conduzida ao hospital de Beja, chegou ali já cadáver. A morte foi provocada pela pistola-metralhadora do sr. Tenente Carrajola, que comandava a força da G.N.R. No momento em que foi atingida, a infeliz mulher tinha ao colo um filhinho, que ficou ferido, em resultado da queda. A Catarina Efigénia tinha mais dois filhos de tenra idade e estava em vésperas de ser novamente mãe. O funeral realizou-se ontem, saindo do hospital de Beja para o cemitério de Quintos. Centenas de pessoas vieram de Baleizão para acompanharem o préstito, verificando-se impressionantes cenas de dor e de desespero. Segundo nos consta, o oficial causador da tragédia foi mandado apresentar em Évora.
— Diário do Alentejo, 21 de Maio de 1954
Catarina fora escolhida pelas suas colegas para apresentar as suas reivindicações. A uma pergunta do tenente da guarda, Catarina terá respondido que só queriam "trabalho e pão". Como resposta teve uma bofetada que a enviou ao chão. Ao levantar-se, terá dito: "Já agora mate-me." O tenente da guarda disparou três balas que lhe estilhaçaram as vértebras. Catarina não terá morrido instantaneamente, mas poucos minutos depois nos braços do seu próprio patrão (entretanto chegado), que a levantou da poça de sangue onde se encontrava, e terá dito: Oh senhor tenente, então já matou uma mulher, o que é que está a fazer?. O patrão, Francisco Nunes, que é geralmente descrito como uma pessoa acessível, foi caracterizado por Manuel de Melo Garrido em "A morte de Catarina Eufémia —A grande dúvida de um grande drama" como "o jovem lavrador da região que menos discutia os salários a atribuir aos rurais e que, nas épocas de desemprego, os ajudava com larga generosidade". O menino de colo, que Catarina tinha nos braços ficou ferido na queda. Uma outra camponesa teria ficado ferida também.
De acordo com a autópsia, Catarina foi atingida por "três balas, à queima-roupa, pelas costas, actuando da esquerda para a direita, de baixo para cima e ligeiramente de trás para a frente, com o cano da arma encostada ao corpo da vítima. O agressor deveria estar atrás e à esquerda em relação à vítima". Ainda segundo o relatório da autópsia, Catarina Eufémia era "de estatura mediana (1,65 m), de cor branco-marmórea, de cabelos pretos, olhos castanhos, de sistema muscular pouco desenvolvido".
Após a autópsia, temendo a reacção da população, as autoridades resolveram realizar o funeral às escondidas, antecipando-o de uma hora em relação àquela que tinham feito constar. Quando se preparavam para iniciar a sua saída às escondidas, o povo correu para o caixão com gritos de protesto, e as forças policiais reprimiram violentamente a populaça, espancando não só os familiares da falecida, outros rurais de Baleizão, como gente simples de Beja que pretendia associar-se ao funeral. O caixão acabou por ser levado à pressa, sob escolta da polícia, não para o cemitério de Baleizão, mas para Quintos (a terra do seu marido cantoneiro António Joaquim do Carmo, o Carmona, como lhe chamavam) a cerca de dez quilómetros de Baleizão. Vinte anos depois, em 1974, os seus restos mortais foram finalmente transladados para Baleizão.
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