Mostrar mensagens com a etiqueta Cultura e Lazer. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cultura e Lazer. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Festa de Fim de ano em Troia



Os Municípios de Grândola e Setúbal uniram-se numa aposta sem precedentes.
Esperamos que esta animação seja aproveitada e convidamos todos para a uma visita à Comporta durante esse período, relembrando a nossa exelente gastronomia e a existência serviços disponíveis (comércio, farmácia, etc.).

Aqui fica a proposta para esta celebração, com o respectivo programa retirado de http://www.fimdeanoazul.com/animacao.aspx

36 horas de animação Non-Stop, ao acesso e todos
das 9h das manhã de sábado (31 de Dezembro) às 21h de Domingo (1 de Janeiro)
Logo de manhã - 9 horas - e até à meia-noite... em todo o lado
  • O ardina do troiaresort com pregões de outrora;
  • Quer tirar uma fotografia, com um fotógrafo excêntrico?
    Poderá fazer a moldura (ou peça às crianças…), da sua fotografia, com a Equipa do Posto de Turismo;
  • Escreva a quem mais gosta. Procure o nosso carteiro. Nós assumimos o correio (azul, claro!);
  • Um carrinho e um vendedor de castanhas;
  • Nesta quadra natalícia não poderia faltar a lenha … Um vendedor andará por aí;
  • De vez em quando, vai ver o Patas a passear e a pousar para fotografias!
10h às 13h e das 15h às 18h, o Pai Natal azul na troiamarina
  • No troiaresort o nosso Pai Natal é azul (da cor do mar!) e tem um trono marinho puxado por golfinhos (a rena Rodolfo deu lugar ao Golfinho Delfim!).
11h às 18h, Atelier Story Tailors, townhouse
12h, aula de ginástica, sala do troiario no Aqualuz Suite Hotel Apartamentos
  • Aula de ginástica – uma hora - com a equipa do Solinca, na Sala do troiario do Hotel Aqualuz
15h, Ruínas Romanas de Tróia:
  • Visita guiada
    Integradas no complexo turístico troiaresort, as Ruínas Romanas de Tróia, com dois mil anos de história, são o maior complexo de produção de salgas de peixe conhecido no mundo romano.
    Estão abertas da parte da tarde com visitas guiadas, às 15h.
    • Bilhete normal = 7,50€
    • Clientes troiaresort = 5€
    • Visitantes até aos 14 anos = gratuito
16h, Exposição (inauguração aberta) de fotografia de Tiago Garcia foyer troiario no Aqualuz Suite Hotel Apartamentos
19h, Cânticos de Natal, na troiamarina
  • Muitos cânticos de Natal, na troiamarina
Logo de manhã - 9 horas - e até 21 horas... em todo o lado
  • As animações de sábado repetem-se todas no mesmo horário e locais
10h às 13h e das 15h às 18h.
Pai Natal na troiamarina
Exposição de fotografia
  • No troiaresort o nosso Pai Natal é azul (da cor do mar!)
  • Exposição de fotografia de Tiago Garcia, no foyer do Aqualuz troiario
11h às 18h, Atelier Story Tailors, townhouse
15h, Aula de ginástica , sala do troiario no Aqualuz Suite Hotel Apartamentos
  • Aula de ginástica – uma hora - com a equipa do Solinca, na Sala do troiario do Hotel Aqualuz


Vamos cantar as Janeiras, na troiamarina
16h, Peddy Paper
  • Peddy paper de Ano Novo "em busca do Pernilongo Patas"
    Local de encontro – Posto de Turismo
17h, Nuno Markl e Patrícia Furtado, no troiagolf
18h no troiagolf
20h
  • Os Duendes de 2012, na troiamarina

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Reportagem da TVI, sobre a Carrasqueira.

A TVI transmitiu no passado dia 12 de Outubro uma reportagem sobre a Carrasqueira.
Essa reposrtagem está disponível através de:

http://www.tvi24.iol.pt/aa---videos---sociedade/carrasqueira-sado-pesca-mar-tvi24-ultimas-noticias/1288699-5795.html

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Ribeira da Comporta ( um afluente do rio Sado ).

Ribeira do distrito de Setúbal que nasce a norte da Serra de Grândola, e que desagua na margem esquerda do Rio Sado, na povoação da Comporta, concelho de Alcácer do Sal.

Até à cerca de 6000 anos a ribeira da Comporta desaguava diretamente no oceano Atlântico no enfiamento do canhão submarino do Sado. Com a formação da restinga que deu origem à atual península de Troia, o curso do troço terminal da ribeira infletiu para norte, passando a desaguar no estuário do Sado.

sábado, 8 de maio de 2010

Comporta Cocoon Lodges????? What???

Ao "passearmos" no facebook, apareceu lá uma página "Comporta Cocoon Lodges", como tinha o nome da nossa terrinha fomos logo espreitar...
Aparentemente agora querem "povoar" o nosso pinhal com malta do papel. Um conceito novo de casa e piscinas feitas no meio da natureza que permitem o contacto directo com a mesma.
Parece que a Comporta por si já não chega para virem nas férias... Agora querem mais...
Isto trás-nos tanta coisa à cabeça, que nem sabemos ao certo o que dizer.
A questão ambiental?
Não há espaço para nós, pessoas de cá, morarmos e fazermos casas - "porque já não há terrenos"- mas parece que para quem tem dinheiro, INVENTAM formas.
Mas a questão que, para quem mora cá, vem de imediato é: "ENTÃO E OS MOSQUITOS?". No meio do pinhal, espalhar por aí casas e piscinas biológicas... Parece-nos hilariante... Vamos estar cá para ver no que vai dar...

Podem consultar em : http://www.comporta-cocoon-lodges.blogspot.com/
Esta foto foi retirada do blog http://www.comporta-cocoon-lodges.blogspot.com

A construção Piscina Biológica de COCOON EcoLodges - Comporta :


domingo, 21 de março de 2010

Hoje é o dia Mundial da Poesia. Homenagem a Mário Viegas

“A minha vida é o Teatro e o Teatro é a minha vida“


António Mário Lopes Viegas (nasceu em Santarém a 10 de Novembro de 1948). Foi um grande actor (ganhou o prémio Garret de melhor actor em 1987) e encenador português. Foi também um exímio declamador de poesia. Faleceu, em Lisboa. Como a poesia fez parte da sua vida, deixamos aqui uma pequena lembrança: " podendo ouvi-lo a dizer um poema ..."

Hoje é o dia Mundial da Poesia.

De:Sophia de Mello Breyner Andresen



As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão".

Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito

Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.

domingo, 14 de março de 2010

Paleontologia e Arqueologia do estuário do Sado

O estuário do Sado integrou o estuário do Tejo até há dois milhões de anos, como atestam os vestígios paleontológicos comuns.


O mar ocupou periodicamente vastas áreas adjacentes durante a Era Paleozóica (iniciada há 2.500 milhões de anos), enquanto a Europa se separava da América e se consolidava o maciço vulcânico da margem Norte do Tejo. Abundam os fósseis de gastrópodes, moluscos e amonites desta época.

Na era Mesozóica (iniciada há 225 milhões de anos), a Península Ibérica encontrava-se coberta de lagos salgados e quentes e, no final, a África continuava a separar-se da América do Sul. No final desta Era, deu-se a extinção dos grandes sáurios, de que há vestígios na Arrábida. Os dinossáurios abundavam na região dos estuários do Sado e Tejo, atestando a existência de uma vegetação luxuriante.

Na Era Cenozóica (iniciada há 65 milhões de anos) houve importantes avanços e recuos do mar, relacionados com a actividade vulcânica e as glaciações que cobriram periodica-mente a Europa, com grande reflexo na formação das bacias hidrográficas e na erosão dos solos. Tubarões, mastodontes, crocodilos do Miocénico e elefantes do Pliocénico habitaram o estuário e zonas adjacentes.

No Miocénico Superior, iniciado há 10 milhões de anos, com a formação do maciço da Arrábida o Sado encurva-se para Oeste e separa-se definitivamente do Tejo.

Os estuários do Sado e Tejo não partilharam apenas a geologia e paleontologia, mas, devido à proximidade, também possuem vestígios arqueológicos de uma História comum que, por vezes, se confunde, devido, em parte, às vias fluviais que os unem, como a Cala Real, o rio Judeu e o rio Coina.

Hoje utiliza-se muito a expressão “Península de Setúbal” que se deve não só às razões geográficas como também às afinidades culturais e históricas. Esta península, desenhada pelos dois grandes estuários, do Tejo e do Sado, está hoje sujeita a uma forte pressão urbanística que ameaça os Parques e Reservas Naturais que a rodeiam.

A ocupação humana dos estuários do Tejo e Sado remonta ao Paleolítico, como se vê nas estações da Base Aérea do Montijo, Cascalheira e no Alto da Pacheca, em Alcochete. Os concheiros mesolíticos de Muge, assim chamados por serem estações que apresentam grandes depósitos de conchas, estão entre os mais importantes do mundo, com um registo de mais de trezentos esqueletos de há 6.000 anos, alguns em bom estado.

Eram populações já sedentarizadas, com práticas sociais e funerárias.

Há vestígios do Paleolítico na margem Norte do estuário do Sado, e do Neolítico na margem Sul, nas jazidas do Celeiro Velho, Malhada Alta, Possanco, Pontal Barrosinha e Sapalinho; na margem Norte, na Rua General Daniel de Sousa / Rua Frei António das Chagas (Setúbal), na Mitrena e no Faralhão.

Da cultura Megalítica, que se julga ter aparecido na Península Ibérica, difundindo-se depois por toda a Europa, há que referir as grutas artificiais, escavadas durante o Calcolítico, de que são exemplo as Grutas da Quinta do Anjo, em Palmela, bem como a Anta de Canha.

As características naturais do estuário eram então muito diferentes, sem o cordão dunar de Tróia, que era uma ilha, e a zona da Comporta integrada num sistema lagunar aberto ao mar, o que lhe conferia condições particulares de produtividade piscícola.

Estas extraordinárias condições estuarinas permitiram, por todo o lado, a revolução agrícola e a pri-meira Grande Vaga Civilizacional com a progressiva sedentarização e crescimento demográfico, basea-do fundamentalmente numa economia de pesca/recolecção, complementada com a agricultura e a criação de gado, já então praticadas.

As jazidas neolíticas desta zona (Celeiro Velho, Malhada Alta, Possanco, Pontal, Barrosinha e Sapalinho) revelam níveis de concheiro e artefactos que permitem estabelecer a evolução desde a primeira fixação humana na zona (Pontal), até ao início da Idade do Bronze, altura em que se processou o desenvolvimento da agro-pastorícia e do comércio. A generalização da guerra, que obrigou as populações do Calcolítico a trocarem os locais baixos por zonas elevadas com boas condições naturais de defesa, poderá estar na origem do abandono da zona por parte de grupos humanos, implicando a falta de vestígios arqueológicos posteriores.

in: Rotas & Destinos

sábado, 13 de março de 2010

Poema de Pessoa

Mar Português


Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!


Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma nao é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.


Fernando Pessoa, in Mensagem

sábado, 13 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

As influências Árabes no nosso Alentejo

Durante muito tempo  procurou-se minimizar, ou até mesmo negar, a enorme influência cultural árabe em Portugal e no Alentejo, onde chegaram no século VIII e só saíram no século XIII. A Igreja e a antiga historiografia portuguesa não pouparam esforços para destruir qualquer menção à enorme importância dessa cultura oriental sobre o país. Pesquisas mais recentes, realizadas no século XX, levadas a cabo por estudiosos respeitados, colocam os pontos nos "is" e mostram-nos um cenário bem diferente.


A invasão de povos islâmicos  deu-se em Portugal no início do século VIII. Curiosamente, tudo começou com a disputa de duas facções locais para a escolha do novo rei visigodo. Os filhos do visigodo Vitiza solicitaram a ajuda de Tarik, da Mauritânia, que comandou um exército maioritariamente composto por berberes, mas também com árabes e judeus, que invadiu a península. Um ano mais tarde, novas forças vindas do norte da África, desta vez compostas por árabes, chegaram ao sul da Espanha e foram conquistando toda a Península Ibérica. O processo durou cerca de 5 anos.

Árabes e berberes tinham em comum a fé islâmica, uma religião que se iniciara há apenas um século na Arábia, e já ganhava outros continentes. Ao contrário dos visigodos, esses homens chegaram à região sem as suas famílias. O Alcorão permitia que cada um tivesse até quatro esposas, além de eventuais concubinas. De simples soldados a príncipes e reis, o casamento com mulheres locais foi inevitável, dando origem a uma profunda miscigenação que levou alguns estudiosos a descreverem o alentejano como sendo alguém com o espírito de um romano no corpo de um árabe. Tal fato pode ser constatado por aqueles que visitem a região mediante a observação do tipo físico da maioria de seus habitantes.

Passados os primeiros anos da conquista, a política muçulmana em relação aos vencidos foi marcada por grande tolerância cultural e religiosa. Os cristãos poderiam guardar a sua religião mas deveriam pagar um tributo ao Califa sobre tudo que produzissem. Tal fato fez com que muitos se convertessem à nova fé para se verem livres desse imposto, o que fez com que houvesse uma rápida integração entre esses povos, que acabaram por mesclar, de forma espontânea e pacífica, seus hábitos e costumes.

Como se pode deduzir, a influência árabe-muçulmana na região foi enorme, muito maior do que a dos povos anteriores, uma vez que a ocupação árabe durou cerca de 8 séculos. Além disso, aquando da Reconquista Cristã, modernos estudos realizados apontam para o facto de apenas a elite dirigente árabe ter sido expulsa, tendo ficado na região a maior parte da população. Exames de DNA da população de nossos dias comparadas com as do período muçulmano  comprovam-nos que são praticamente iguais.

Uma presença assim tão forte marcou profundamente a cozinha do sul de Portugal, ainda mais se considerarmos que o Alcorão não é apenas um livro religioso, mas que dita normas também sobre a conduta e a dieta alimentar de seus súbditos. No entanto, não houve uma postura, digamos assim, “fundamentalista” com relação aos costumes dos povos autóctones. Os muçulmanos, enriquecidos por suas conquistas, foram absorvendo alguns hábitos das elites dos povos, embora guardando o essencial da sua própria tradição. O Corão estabelecia o que era proibido e o que era permitido, puro e impuro, mas com interdições menos rigorosas do que as estabelecidas pelo judaísmo.

Os alimentos, ingredientes e pratos de inspiração árabe que chegaram à região são inúmeros, só perdendo em número para os vocábulos árabes absorvidos pela língua portuguesa (mais de mil). A cozinha árabe nasceu numa região de poucos recursos e se baseava no pastoreio (de onde provinham o leite, a coalhada, os queijos e a carne do borrego) e nos legumes. Em regiões mais férteis se somavam os cereais e as frutas. Tal escassez deu origem ao tharid ou târida, que consistia de pão mergulhado em um caldo aromatizado e temperado com azeite. Nesse caldo  poderia-se agregar as mais variadas carnes e vegetais dependendo do que estivesse à disposição, e  constituía-se uma refeição completa. Essa foi a origem do mais tradicional prato alentejano, a Açorda.

O poejo, o coentro, o borrego de carne gorda, as sobremesas bem açucaradas à base de amêndoas e nozes, são coisas da culinária árabe. Também uma série enorme de especiarias que agregavam aroma e sabor à comida, através de uma refinada e imaginosa combinação dos ingredientes: a alfazema, a água de rosas, a canela, a noz moscada, frutas secas (tâmara, uva-passa, pinhões, pistaches) e frescas (romã, maçã), sem falar do açúcar e do mel.

in:AGUINALDO ZÁCKIA ALBERT

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Comporta e as 1ªs Invasões Francesas


Sabia que durante a 1ª Invasão Francesa por parte das tropas de Napoleão Bonaparte, a Comporta foi um importante entreposto de tropas portuguesas?





Decorria o ano de 1807 o comandante Francisco Solano avançava para o Alentejo com uma divisão de cerca 9.500 efectivos, direito a Setúbal para tomar posse do sul do país em nome do Príncipe e da paz.

Jean-Andoche Junot, coronel-general dos Hussardos, que exercera as funções de embaixador de França em Lisboa em 1805, foi o homem escolhido por Napoleão para comandar cerca de 26.500 homens que iriam invadir Portugal.

Decorria o mês de Agosto do ano de 1808, tropas portuguesas estacionadas em Alcácer, Grândola, Santiago do Cacém, Setúbal, Melides, Montalvo e Comporta, iam comunicando entre si.

Aqui ficam algumas transcrições das mensagens enviadas na época:



Copia de uma carta do major Carlos José Luzeiro à "Junta " em Santiago do Cacém:

“…O preso que lhes remeto é de circunstância, por ser espia do carregador de Setúbal. Informei-me a respeito dele com algumas pessoas que aqui se acham de Tróia, que me disseram que era bem preso. V. s.ªs farão dele o que melhor lhes parecer.
As noticias que acabamos de receber de Setúbal, põe espanhóis que aqui chegaram fugidos, são que todos os franceses que estavam em Setúbal se acham em Palmela.
Sabiam V. s.ªs que o ultimo pagamento das forças que comando, já alguns oficiais o fizeram á sua custa.

Deus guarde a v. s.ªs muitos anos. Quartel da Comporta, 11 de Agosto de 1808. = Carlos José Luzeiro de Reboredo.”




“…E como no sítio da Comporta ainda há 300 homens a sustentar, é necessário que v. ex.ªs com a maior brevidade façam remeter aqui 1.000$000 réis em metal, ou mandem ordem a todos os recebedores de sisas, decimas, tabacos, etc…, para aprontarem a dita quantia, e a remetam aqui sem falta até ao dia 20 do corrente…”

“…fizessem marchar as forças auxiliares do Algarve para Alcácer, passando o Sado a S. Bento, e destacando 200 soldados para esta vila(Santiago) para irem socorrer Montalvo, onde devem reunir-se as forças da Comporta,…”


Na época a Comporta pertencia ao Principado-dos-Algarves

“…relativamente aos rendimentos do paul da Comporta, a que vamos responder. O referido paul pertence a este termo e ao de Alcácer. Havia nele vários frutos pendentes, um rebanho de gado vacum e alguns outros gados, tudo pertencente á casa da princesa nossa senhora, e outrora do infantado. Era tudo administrado por um só almoxarife, que residia em Setúbal em poder dos inimigos, no tempo em que esta junta tentou reprimir as suas correrias, alistando tropas, armando-as e municiando-as. Par estas despesas foi a junta obrigada a lançar mão dos ditos rendimentos, e de algum do dito gado,…”


Em Setembro de 1808 o tenente general Hope, comandante das tropas britânicas anuncia em Lisboa, que Portugal está livre das tropas francesas.

Por: Carlos Cordeiro

fonte:1808 Santiago do Cacém e a 1ª Invasão francesa
Junta de Freguesia de Santiago do Cacém
 Gentil José Cesário

sábado, 23 de janeiro de 2010

Tudo Muda

Muda o superficial
Muda também o profundo
Muda o modo de pensar
Muda tudo neste mundo

Muda o clima com os anos
Muda o pastor e seu rebanho
E assim como tudo muda
Que eu mude não é estranho

Muda o mais fino brilhante
De mão em mão seu brilho
Muda do ninho o pássaro
Muda a sensação de um amante

Muda o rumo do andarilho
Ainda que isto lhe cause dano
E assim como tudo muda
Que eu mude não é estranho

domingo, 10 de janeiro de 2010

Embarcação tradicional: " Galeão do Sado "


Galeão “Reconverte-se” ao Sal




“Cerca de 1920, aparece em Setúbal o galeão a vapor na arte do cerco americano e os anteriores galeões, a remos e vela, são convertidos para carga, sobretudo fluvial, depois de modificado o convés e a armação. O casco não sofreu alteração e, com a sua forma alongada de entradas e saídas de águas finas, deu embarcações andejas e bolineiras muito diferentes dos iates e laitaus.

A armação foi modificada passando a área da enorme vela bastarda a ser repartida por uma vela carangueja e um estai, desaparecendo a pesada e longa verga do bastardo. Tornou-se, assim, possível reduzir a tripulação a dois homens ou, no limite, a um casal. Ficou com a armação de cuter, com um mastro vertical, sem gurupez, amurando a vela de estai na roda de proa. A vela grande tem duas ou três ordens de rizes e ferra para a carangueja arreada no convés. O casco era de popa ogivada com leme por fora e a proa quase vertical. O convés era corrido, com duas grandes escotilhas para a carga pela ré do mastro, uma mais pequena para vante do mastro, e dois albois, um para o rancho da proa e outro para a câmara da popa.

“Os primeiros galeões de carga resultaram, assim, da reconversão dos galeões da pesca, inicialmente os mais pequenos, menos rentáveis na pesca. Posteriormente e até 1954, construíram-se muitos galeões de casco semelhante aos primitivos, mas maiores.”

Comprimento fora a fora (comp. total) 13 a 18 metros
Boca (largura máxima) 3,7 a 4,3 metros
Pontal (altura do casco) 0,9 a 1,2 metros

Excerto do texto de Henrique Cabeçadas “Embarcações Tradicionais Sado”

sábado, 2 de janeiro de 2010

Negros de Alcácer ou mulatos da Ribeira do Sado



Durante séculos a Lezíria e Ribeira do Sado foram um território desabitado, com fama de insalubridade, rodeado de charnecas e gândaras. Apenas a exploração das salinas implicava a deslocação de trabalhadores temporários, funcionando o rio como via de comunicação e escoamento de diversos produtos regionais e locais, de onde avultava o sal, produto que pelo menos desde o século XVI a meados do século XX, constituiu a principal actividade económica das regiões ribeirinhas entre Alcácer e Setúbal. O paludismo, localmente conhecido por febre terçã ou sezões, era um mal endémico, correndo ainda hoje a versão que a pouca população existente em períodos anteriores ao século XX era constituída por africanos - supostamente imunes à doença - aí fixados pela Coroa como forma de assegurar alguma agricultura. Lenda ou não, o certo é que Leite de Vasconcelos na sua monumental Etnologia Portuguesa, refere e descreve os chamados pretos de Alcácer ou mulatos da Ribeira do Sado, correspondentes a habitantes desta região que apresentavam nítidos traços africanos.


ALENTEJANOS DE PELE ESCURA


Ribeira do Sado,
Ó Sado, Sadeta.
Meus olhos não viram
Tanta gente preta.

Quem quiser ver moças
Da cor do carvão
Vá dar um passeio
Até São Romão.
(do cancioneiro popular de Alcácer do Sal, Alentejo, sul de Portugal)

Ribeira do Sado é o nome de uma região que se estende ao longo do vale do Rio Sado, no sul de Portugal, a partir de Alcácer do Sal e para montante, não longe de Grândola, a Vila Morena. São Romão do Sado é uma das aldeias existentes na referida região.
Quem agora for passear pela Ribeira do Sado, já não verá gente verdadeiramente preta diante dos seus olhos, nem encontrará moças da cor do carvão propriamente dito na aldeia de São Romão. A mestiçagem já se consumou por completo. Mas são por demais evidentes os traços fisionómicos observáveis em muitos dos habitantes da região, assim como a cor mais escura da sua pele, que nos remetem imediatamente para a África a Sul do Sahara.
Nem sequer é preciso percorrer a Ribeira do Sado. Se nos limitarmos a dar uma ou duas voltas pelas ruas de Alcácer do Sal, por certo nos cruzaremos com uma ou mais pessoas que apresentam as características fisicas referidas. São os chamados mulatos de Alcácer, por vezes também designados carapinhas do Sado.  O seu aspecto é semelhante ao de muitos cabo-verdeanos, mas eles não têm quaisquer laços com as ilhas crioulas. São filhos de portugueses, netos de portugueses, bisnetos de portugueses e assim sucessivamente, ao longo de muitas gerações. Quando falam, fazem-no com a característica pronúncia local. São alentejanos.

É frequente atribuir-se ao Marquês de Pombal a iniciativa de promover a fixação de populações negras no vale do Rio Sado. Mas não é verdade. Existem registos paroquiais e do Santo Ofício que referem a existência de uma elevada percentagem de negros e de mestiços em épocas muito anteriores a Pombal. Segundo tais registos, já no séc. XVI havia pessoas de cor negra vivendo nas terras de Alcácer.

O vale do Rio Sado, no troço indicado, é um vale alagadiço onde hoje se cultiva arroz. Até há menos de cem anos, havia muitos casos de paludismo nesse troço. A mortalidade causada pelas febres palustres fazia com que as pessoas evitassem fixar-se naquela região. No séc. XVI, muitos portugueses embarcavam nas naus, o que agravava ainda mais o défice demográfico existente. Terá sido esta a razão por que, naquela época, os proprietários das férteis terras banhadas pelo Sado terão resolvido povoá-las com negros, comprados nos mercados de escravos. Os mulatos do Sado dos nossos dias são, portanto, descendentes desses antigos escravos negros.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

As origens Americanas do Pai Natal

As origens Americanas



A versão americana da figura do Pai Natal recebeu inspiração e nome da lenda holandesa Sinterklaas, trazida para Nova Iorque pelos colonos no séc. XVII. Por volta de 1773, apareceu na imprensa americana o nome «St. A Claus» mas foi o escritor popular Washington Irving que deu aos americanos, os primeiros detalhes da versão holandesa de São Nicolau.
Na sua "História de Nova Iorque", publicado em 1809 sob o pseudónimo Dietrich Knicherbocker, Irving descreveu a chegada do santo a cavalo, na véspera de São Nicolau.
Este "Saint Nick" americano-holandês alcançou o auge da sua forma americanizada em 1823, no poema "Uma Visita de São Nicolau" (A Visit from Saint Nick), mais conhecido por A Noite antes do Natal (The Night Before Christmas), do escritor Clement Clarke Moore.
Moore incluiu detalhes como os nomes das renas, o riso do Pai Natal, acenos de cabeça e piscar de olhos, e até, sendo referido como elgo, a forma como sobe e desce pela chaminé.
A imagem americana do Pai Natal foi também elaborada pelo ilustrador Thomas Nast , que desenhou um redondo Pai Natal para as edições da Revista Harper entre 1860 e 1880. À história, Nast acrescentou detalhadamente a oficina onde se faziam os brinquedos no Pólo Norte e a lista de crianças boas e más de todo o mundo.
Em 1931, foram feitas várias representações para a a Coca-Cola, colocando de parte a versão de Moore que o colocava como elfo. Nesta época, já só os trabalhadores da oficina de brinquedos eram elgos,. Rudolfo, a 9ª rena de nariz vermelho e brilhante, surgiu apenas em 1939 através da publicidade da empresa Mintgomery Ward.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Zé Povinho (por cá também) e aos Zésss


De calças remendadas e botas rotas, é a eterna vítima dos partidos regenerador e progressista, dando a vitória a uns ou outros em época eleitoral. Usando como expressão corporal o manguito e a mão coçando aflita a grenha farta, foi sem dúvida um trunfo na denúncia duma economia capitalista frouxa nas páginas d'A Lanterna Mágica, berço da genial criação do símbolo do povo português. O sucesso obtido foi tal que Bordalo acabou por recriar no barro, em tinteiros, cinzeiros e apitos, a figura-símbolo do povo português ao lado da inseparável Maria da Paciência, velha alfacinha alcoviteira.

«Crescido, Zé Povinho correspondeu perfeitamente às esperanças que n'elle depositaram os solicitos poderes do reino. Como desenvolvimento de cabeça elle está mais ou menos como se o tivessem desmamado hontem. De musculos, porém, de epiderme e de coiro, endureceu e calejou como se quer, e , cumprindo com brio a missão que lhe cabe, elle paga e súa satisfactoriamente. De resto, dorme, resa e dá os vivas que são precisos. Um dia virá talvez em que elle mude de figura e mude tambem de nome para, em vez de se chamar Zé Povinho, se chamar simplesmente Povo. Mas muitos impostos novos, novos emprestimos, novos tratados e novos discursos correrão na ampulheta constitucional do tempo antes que chegue esse dia tempestuoso.
Por tudo pois, ao resumirmos n'estes leves traços, a interessante historia de Zé Povinho, o nosso parabem cordeal a seus sabios e carinhosos paes ós Publicos Poderes.


in:Dr. Vasco Trancoso

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Atlantic Tour 2010 - EQUITAÇÃO

A Equitação vai voltar à Comporta!                 

2009-12-02 in: http://www.equitacao.com/singleArticles.do?id=5653

"A maior pista de Relva de Portugal está pronta para receber o Campeão da Europa 2009 Kevin Staut, bem como todos os elementos da equipa Francesa Penelope Leprevost, Olivier Guillon, Timothee Anciaume, Julien Gonin, Michel Hecart, Hervé Godignon. Além das equipas da Rússia, da Ucrânia e Marrocos.

Está concluído o aumento da pista de relva na Herdade da Comporta ficando agora aquele Complexo Hípico dotado das maiores e melhores pistas para Salto de Obstáculos de Portugal.

Assim ficará com uma pista de relva de 120m x 90m, a maior do País, a somar à já existente Pista de Areia (Otto Sport) de 129m x 96m a maior da Europa, além de outras duas pistas de areia de 90m x 60m.
Entre as novidades encontram-se também inseridas no programa do Atlantic Tour 2010, provas de Dressage e Horseball.
A 22 de Fevereiro até 21 de Março CSI2* e 4* e de 24 de Março a 28 de Março CDI4*, CDIJ-CDIY-CDYH, CDN. A 27 e 28 de Março, Jornada de Masters de Horseball.
Em 2010, na Herdade da Comporta vão ser: 5 semanas de provas, 800 cavalos, 24 países e 3 modalidades equestres."

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Homenagem às Mulheres e aos Homens Pescadores da Carrasqueira

Há manhãs à beira-mar em que tudo parece um pouco de tinta muito leve e mais nada. Um pouco de tinta e frescura. A própria luz molhada estremece. O doirado tem muita água e desbota. Uma gota de azul basta para o mar e o céu. E a manhã, trespassada e a escorrer, nascida e hesitando, faz medo que se desvaneça como fantasmas de manhã.

Raúl Brandão in: Os Pescadores

sábado, 14 de novembro de 2009

Extermínio pouco conhecido

Veja e analise. São tristes histórias da História da Humanidade.